Mas será possível que ninguém tenha pena dos funcionários públicos que se encontram na base da "cadeia alimentar" e não fazem uma "limpeza selectiva" ao que os empata?
Daqui nada ainda me obrigam, a mim, pessoa de esquerda a citar o Cavaco...
"Deixem-nos trabalhar!"
Deixem lá... Só assim qualquer coisinha que o pessoal já agradecia...
janeiro 24, 2007
janeiro 23, 2007
Oscar Wilde
"Nos velhos tempos os livros eram escritos por homens das letras e lidos pelo público. Hoje são escritos pelo público e lidos por ninguém."
É uma afronta dizerem que o senhor nunca proferiu nada de jeito...
É uma afronta dizerem que o senhor nunca proferiu nada de jeito...
janeiro 18, 2007
Para que fique bem claro, mas mesmo mesmo claro...
Eu não sou a favor do aborto.
Ninguém é.
Eu sou a favor que não se mandem mulheres para a cadeia por causa disso.
Isso sim, é despenalização.
Que é disso que trata o referendo... De despenalização.
Será que agora é que ficou mesmo , mesmo claro?
Ninguém é.
Eu sou a favor que não se mandem mulheres para a cadeia por causa disso.
Isso sim, é despenalização.
Que é disso que trata o referendo... De despenalização.
Será que agora é que ficou mesmo , mesmo claro?
janeiro 17, 2007
janeiro 16, 2007
Criancinhas....
Às vezes penso que também seria fixe se tivessem tido tanta peninha de mim, como têm das criancinhas de hoje em dia...
Ai que é traumatizante para os meninos passar de um professor na primária (perdão, é 1º ciclo) para 11 no preparatório (ai, ai! perdão, 2º ciclo é que se diz)!
Definitivamente que estudar seria tão mais fácil...
Ai que é traumatizante para os meninos passar de um professor na primária (perdão, é 1º ciclo) para 11 no preparatório (ai, ai! perdão, 2º ciclo é que se diz)!
Definitivamente que estudar seria tão mais fácil...
dezembro 20, 2006
Neurónio congelado
Há aqueles dias fervilhantes de tarefas e coisas para fazer.Depois há os outros...
Mornos, que escorrem devagar, sem vontade própria, tal qual as pinturas de Dalí.
Ontem, foi um desses dias.
Tudo se arrasta, languidamente... São de um torpor mental, doloroso até! Consegue-se estender o dia à infinitude do congelamento cerebral...
Estes dias são cães pachorrentos... Para dormir e vegetar!
Mornos, que escorrem devagar, sem vontade própria, tal qual as pinturas de Dalí.
Ontem, foi um desses dias.
Tudo se arrasta, languidamente... São de um torpor mental, doloroso até! Consegue-se estender o dia à infinitude do congelamento cerebral...
Estes dias são cães pachorrentos... Para dormir e vegetar!
novembro 19, 2006
É um facto: as pessoas que vivem coisas boas que vale a pena preservar, são infinitamente mais vulneráveis que as outras.
Não é preciso ser-se feliz (um estado de alma relativo e cada vez mais vazio de significado, dada a miríade de pequenos problemas que nos infernizam o dia-a-dia e nos impedem de termos uma perspectiva global de nós mesmos e de irmos mais além no nosso próprio contentamento).
Basta prezar-se algo e ter-se medo de o perder.
Quem receia magoar os de quem gosta, perdê-los, decepcioná-los; quem faz questão de trazer a sua existência nas palminhas, a tratos de polé - quem se acha, afinal, com uma sorte danada, apesar de tudo -, acaba por ser um alvo fácil.
Ter amigos e família, ir a festas, fazer festas, fazer mais amigos, ter paixões e marido (ou mulher), ter paixão pelo marido (ou pela mulher), pelos amigos, pelos filhos e pela casa (pelo sofá branco da casa), pelo cão.
Ter a felicidade de ter pai e mãe vivos e disponíveis, e ter irmãos e primos.
Não ter medo nem vergonha de se mostrar como é, nem o que quer ou do que gosta, muito menos aquilo a que aspira e o que mais a incomoda.
Tudo isso lhe confere uma fragilidade imensa, de sopro de vela.
Amarmos outros, e amarmos a presença dos outros na nossa vida, é como ficarmos com o organismo a modos que indefeso, imunodeficiente e mais sujeito a dores, a incómodos, a doenças.
Porque ficamos à mercê das investidas virulentas de quem nada receia porque nada tem a perder.
Não é preciso ser-se feliz (um estado de alma relativo e cada vez mais vazio de significado, dada a miríade de pequenos problemas que nos infernizam o dia-a-dia e nos impedem de termos uma perspectiva global de nós mesmos e de irmos mais além no nosso próprio contentamento).
Basta prezar-se algo e ter-se medo de o perder.
Quem receia magoar os de quem gosta, perdê-los, decepcioná-los; quem faz questão de trazer a sua existência nas palminhas, a tratos de polé - quem se acha, afinal, com uma sorte danada, apesar de tudo -, acaba por ser um alvo fácil.
Ter amigos e família, ir a festas, fazer festas, fazer mais amigos, ter paixões e marido (ou mulher), ter paixão pelo marido (ou pela mulher), pelos amigos, pelos filhos e pela casa (pelo sofá branco da casa), pelo cão.
Ter a felicidade de ter pai e mãe vivos e disponíveis, e ter irmãos e primos.
Não ter medo nem vergonha de se mostrar como é, nem o que quer ou do que gosta, muito menos aquilo a que aspira e o que mais a incomoda.
Tudo isso lhe confere uma fragilidade imensa, de sopro de vela.
Amarmos outros, e amarmos a presença dos outros na nossa vida, é como ficarmos com o organismo a modos que indefeso, imunodeficiente e mais sujeito a dores, a incómodos, a doenças.
Porque ficamos à mercê das investidas virulentas de quem nada receia porque nada tem a perder.
Por "Escrito na Areia por Vieira do Mar", no blog www.controversamaresia.blogspot.com.
Muito, muito obrigado por teres expresso o que para mim, por vezes, se afigura inexprimivel...
novembro 17, 2006
novembro 10, 2006
Não me desiludiste. Nem sequer posso dizer que nunca esperei que tudo fosse assim... Acho que é o vazio que me transforma... Já não sou quem era.
Também nunca pensei conseguir reduzir-me a uma frase tão banal: já não sou quem era.
Que queria eu afinal? Sempre me haviam dito que as pessoas mudam com a idade. Tornam-se adultas.
Adultas. Que máscara e esconderijo para poupar os outros das nossas próprias inseguranças. Lá porque sou adulta não tenho medos? Ter até tenho, mostrá-los é que já é mais chato... Isto de obrigar os outros a reverem as suas fraquezas em nós é, no mínimo, incómodo. Para todos.
Quem sou eu agora? Não sei. Mas desconfio que está mais que na altura de me redefinir...
Também nunca pensei conseguir reduzir-me a uma frase tão banal: já não sou quem era.
Que queria eu afinal? Sempre me haviam dito que as pessoas mudam com a idade. Tornam-se adultas.
Adultas. Que máscara e esconderijo para poupar os outros das nossas próprias inseguranças. Lá porque sou adulta não tenho medos? Ter até tenho, mostrá-los é que já é mais chato... Isto de obrigar os outros a reverem as suas fraquezas em nós é, no mínimo, incómodo. Para todos.
Quem sou eu agora? Não sei. Mas desconfio que está mais que na altura de me redefinir...
outubro 31, 2006
Adeus...
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
E o que nos ficou não chega
Para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as pedras das esquinas
Em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro,
Era como se todas as coisas fossem minhas:
Quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
Porque ao teu lado
Todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
Era no tempo em que meus olhos
Eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
Uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
Já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
Tenho a certeza
De que todas as coisas estremeciam
Só de murmurar o teu nome
No silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
E o que nos ficou não chega
Para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
Gastámos as mãos à força de as apertarmos,
Gastámos o relógio e as pedras das esquinas
Em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro,
Era como se todas as coisas fossem minhas:
Quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
Porque ao teu lado
Todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
Era no tempo em que meus olhos
Eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
Uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
Já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
Tenho a certeza
De que todas as coisas estremeciam
Só de murmurar o teu nome
No silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
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